A Paternidade na Era Digital

Há algum tempo falava-se que vivíamos a era da informação. No entanto, a era digital hoje alcança rumos muito maiores do que apenas a disponibilidade da informação. É inegável o volume de dados a que temos acesso através dos mais diferentes meios possíveis, mas ainda é preocupante o fato de que muitos de nós não sabemos como lidar com eles. E o que dizer de nossas crianças?

Sou de uma época de transição. Não me considero um nativo digital. Sim, sou parte da geração Y, mas eu vivi uma mudança de mentalidade que nossos infantes de hoje desconhecem. Eu ouvi – e ainda ouço – música em discos de vinil; copiava e distribuia fitas K7; assistia filmes em fitas; e usei um computador antes da internet comercial sequer existir no Brasil. Lá pelos idos de 1995 é que pude vivenciar a conectividade através do digital que mudaria o mundo. Usei os primeiros programas de compartilhamento de música que surgiam – tenho saudades do Napster – os primeiros jornais online não atraíram minha atenção, mas os blogs sim, principalmente depois de setembro de 2001. E experimentei tudo isso com uma certa mistura de surpresa, admiração e até susto diante de cada novidade. Sentimentos que cada vez mais parecem estar se esvaindo.

As crianças nascidas nesta primeira década do novo milênio estão sendo chamadas de nativos digitais ou geração Z e estão aprendendo a lidar com o digital de uma maneira totalmente diferente do que a minha geração experimentou. E isso começa mesmo antes de aprender a falar graças aos pais já conectados ao mundo digital. Acompanhei pelo Twitter o nascimento dos filhos de dois grandes amigos, passo-a-passo desde a corrida ao hospital. Atentos à esse tipo de comportamento, a rede de geolocalização Foursquare já até premia os usuários com medalhas quando fazem checkin em algum hospital e compartilham com seus amigos incluindo a frase “It’s a boy” ou “It’s a girl”.

O digital altera a forma como vemos o mundo. Há um video no YouTube publicado em outubro de 2011 que mostra uma criança de 1 ano tentando manipular uma revista – uma revista impressa, analógica – como se fosse um tablet. O video termina com a frase “Para minha filha de um ano, uma revista é um iPad que não funciona. E vai ser assim pro resto da vida dela.” O video, hoje com mais de 3 milhões de acessos, pode ser visto abaixo

Imagem de Amostra do You Tube

Assim como esse pai compartilhou este video, também venho acompanhando o crescimento dos filhos de meus amigos, que mencionei anteriormente, pelo YouTube. Primeiros passos, banho com a avó, aprendendo a dançar, a cantar, todas estas experiências que antes eram restritas à família hoje são compartilhadas com o mundo.

Ainda não sou pai, mas mesmo antes de este dia chegar já me preocupo em como lidar com essas crianças e como se dará o desenvolvimento cognitivo desses indivíduos. Estamos além da era da informação, estamos em um tempo onde o importante não é se informar, ou se apenas se comunicar. O importante é compartilhar. E isso está passando de pai para filho, pais que desde o nascimento compartilham a vida da criança com o mundo, crianças que não conhecem um mundo desconectado da rede.

Estamos diante de uma geração para a qual é natural compartilhar na rede todos os momentos registrados com uma câmera de celular, mesmo que seja um momento íntimo e privativo. Precisamos nos preocupar com a educação desta geração digital, orienta-los para um bom uso e da responsabilidade que carregam com a liberdade de produção e distribuição de conteúdo.

Artigo originalmente publicado no e-book da Escola de Propaganda.

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